1 de fev de 2009

The Endless Week.

     E a praia foi acima das minhas expectativas. Muita acima, eu diria. A quem eu tava tentando enganar no post anterior, dizendo que talvez não falasse da praia? Na verdade a praia em si tava uma porcaria. Mar chocolatão todos os dias e nos primeiros dias vento forte. Mas o que valeu mesmo foram as piadas, os amigos, as histórias, as bandas, etc. Não lembro bem os dias em que os fatos aconteceram, mas lembro MUITO bem deles.

O Nascer do Sol: Realizei meu sonho de ver o nascer do sol no mar. E vi duas vezes. Uma vez foi só eu, o Cabeça, o Fábio e o Bernardo. Quando chegamos na praia, tinha um casal transando na beira do mar, um pouco longe de nós, mas que mesmo assim dava pra ver o que estavam fazendo. Quando eles passaram pela nossa frente, sem vergonha nenhuma, descobrimos que o cara havia feito zoofilía... Tinha feito sexo com uma baleia. Na outra vez foi toda a galera, na madrugada de quinta pra sexta. Aí tiramos fotos e tal. E eu não parava de cantar:

"Deixa o sol bater no rosto
  Esqueço tudo que me faz mal
  Deixa o sol bater na cara
  Aí o desgosto se vai."

E nas duas eu fui com meu casaco cinza à la Rocky Balboa. Me senti o próprio correndo na beira da praia com o Apollo Creed, pra enfrentar o Cluber Lang.

Ana: Nossa... Que decepção. Pra ser sincero, no início eu tava com medo de ligar pra ela. Sabe-se lá pq diabos. Aí demorei pra comprar cartão. Comprei cartão no domingo e mandei uma mensagem perguntando se ela já estava lá em Capão. Ela não respondeu. No outro dia eu fui procurar a rua em que a Ana falou que ia ficar. O Marcelo e o Guilherme (um colega de faculdade do Montanha) foram caminhando pela beira da praia comigo, e nós encontramos ela lá na beira da praia mesmo:
Ana: E aí, guuuriiiiiiiiii...
Eu: Anaaa... Tudo bem ?
A: Sim... Ai, só fui ver tua mensagem, ontem depois que eu cheguei .
E: Hummm [\e pq não respondeu ?]... Tá desde quando aí ?
A: Desde sexta, e tu ?
E: Desde anteontem. (depois fiz as contas e vi que isso dava no sábado, falei isso pra não parecer que eu tinha demorado pra entrar em contato com ela, pois chegamos na sexta também.) Eu ia te ligar quando chegassemos em casa. Tá afim de dar uma banda no Centro hoje?
A: Claro. Vamo mesmo.
Nos despedimos, e mais tarde liguei pra ela. Ela falou que  provavelmente ia sair sim, e que me dava um toque se saísse. O toque nunca veio. eubolado[1]
No outro dia (terça-feira) fomos no Tazz Bar e eu mandei uma mensagem pra ela, dizendo que estava lá. Ela respondeu dizendo que estava na casa de um AMIGO e que se fosse me avisava. eubolado[2].
Meu orgulho e meus amigos não deixaram eu entrar em contato com ela denovo.

Tazz Bar: Baita lugar. Muito bom mesmo. Ano passado era um boteco com sinuca. Esse ano o dono reformou tudo. Aumentou o lugar, colocou mais mesas de sinuca, pista de boliche e fez uma danceteria. A primeira vez que fomos lá foi na terça, não estava muito cheio, mas tava muito bom. Tinha um outro grupo de amigos, e entre eles tinha uma guria que era muito parecida (muito mesmo) com uma outra que eu fiquei há um tempo atrás. Fiquei cuidando ela o tempo todo. Trocando olhares. Mas eu havia mandado a mensagem pra Ana, e isso me prendia. Decidi esperar por ela até as duas, depois disso eu chegaria no clone da outra. Quando deu 2:03 um amigo dessa guria chegou nela, e acabou pegando. Depois disso eu tava só por curtir. E como curti. Dancei das onze até as quatro. TOCOU THRILLER \o/.E fomos embora discutindo que aquela tinha sido uma das melhores festas das nossas vidas. Ainda mais com o Cabeça e a "putona do caralho" ( uma guria chamada Deyse que tinha namorado e ficou com o Cabeça). E teve algo bem inusitado. O Cabeça recém saiu de um relacionamento, que a guria curtia Beatles pra caralho. Quando ele tava ficando com a tal da Deyse começou a tocar Beatles, versão dance, é claro. É mais uma dessas ironias da vida.
Voltamos na quinta, dessa vez com desfalques. Estava só eu, o Bernardo, o Solano, o Marcelo e o Guilherme. E mesmo assim o Guilherme só jogou sinuca e foi embora. O fato é que haviam duas gurias, uma morena e uma loira. Nossa que dupla imbatível. Uma mais linda que a outra. E eu fiquei olhando pra loira até poder dizer chega. Daí, depois de um tempo ela saíram de perto da gente e foram pra outro lugar. Quando eu fui vê elas tavam junto com um véio. Que merda, como eu ia conseguir falar com a loirinha se ela tava com aquele véio. Aí a gente entrou na pista da danceteria (naquele dia ia ter show aí pra entrar na danceteria tinha que pagar). E as guria iam toda hora no vidro olhar pra ver como tava a pista, e eu olhava a loirinha e ela me olhava, e eu lembrava do véio. Até que elas foram embora. E eu fiquei com uma cara embriagada no espelho do banheiro. Valeu pelo showzinho. Bandinha boa, apesar do vocalista se achar pra caralho. Na sexta nós fomos de novo, mas não tava tão bom quanto os outros dias.

-Futebol: Jogamos quatro vezes. Eu me divertia. Sempre no final de tarde, pra não morrermos queimados pelo sol. E sempre os mesmos times. Eu, Bernardo, Solano e Marcelo contra Montanha, Guilherme, Fábio e Cabeça. Voltando de uma caminhada que fizemos até a plataforme de Atlântida, decidimos fazer a primeira partida, e nós ganhamos muito na raça. Foi a dez, e eles estavam sempre na frente no placar, até que ficou 9x8 pra eles, e nós nos fechamos. Uma hora eu tava tão cansado que me joguei no chão, fingindo que tava com cãimbra, só pra descança, logo após esse lance dei uma bomba na bola pra ela ir bem longe e eu poder descançar mais. Acamos ganhando de 10x9, com promessa de revanche. Descansamos alguns dias até a revanche pq nossas pernas estavam mais pesadas que um elefante obeso. Quando fomos jogar denovo, vieram uns tios lá querendo jogar junto. Jogamos com eles, meu time perdeu, mas perdeu de goleada. Não contamos esse jogo como revanche, pq os tios tinham jogado junto. Mais uma vez adiada a revanche. Nol terceiro jogo, com chuva e tudo, o lance mais bizarro. Bola lançada pro Fábio, que tava sozinho, e perto do nosso gol. Solano saí correndo que nem um condenado, e se joga em cima da bola. Resbala nela, e dá um mortal no ar e outro no chão. Muitos risos acompanhados de gritos de "Isso aí Solano... Time copeiro.". Perdemos a tão esperada revanche. Os jogos estavam 1x1. Tinha que ter um terceiro jogo. E ficou pra sexta-feira. Combinamos que ia até cinco. Mas o jogo tava muito equilibrado. Era lá e cá. Apesar, disso ninguém fazia gol. Então foi até três. E nós ganhamos gol um gol meu de voadora. Depois disso nós perdemos a razão, por ser o último dia, e fomos jogar volei dentro do mar. Toda vez que trocávamos alguns passes saímos dançando que nem um bando de loucos.

   "As partidas de futebol 
     Iluminadas pelo pôr-do-sol"

Véia-Zebú:Depois da primeira partida de futebol, caminhando pelo calçadão, vimos a coisa mais estranha de todas nossas vidas. Num apartamento, bem de frente pro mar estava uma véia sentada, olhando para o nada, com um capacete com chifres, um óculos de lentes azuis e ao seu lado um cabo de vassoura com uma máscara de um macaco pendurada na ponta. O Montanha, muito discreto que é, começou a gritar "que que é aquilo? que que é aquilo?". Pronto todo calçadão já estava olhando a véia no apartamento. Nós aplaudimos a véia, demos oi pra véia e ela não mexia um músculo (apesar de parecer que ela mexia muito lentamentamente o pescoço, como se tivesse virando o rosto pra olhar algo). Todos nós rindo demais e as pessoas que passavam todas comentavam algo.  Era uma coisa quase que sobrenatural. Se fosse de noite eu tinha saído correndo. Depois de um tempo, passou um cara de binóculo e o Montanha: "OLHA A VÉIA... VÊ SE É DE VERDADE...". Aí o cara viu e respondeu: "É de verdade, é de verdade", andou um pouco mais e voltou a olhar a véia com o binóculo. Até que a véia saiu da janela, e eu disse que só saía de lá quando ela voltasse. Fiquei sentado um tempo em um banco, imaginando ela saindo do prédio, e eu fugindo, com muito medo. Aí desistimos de esperar, e quando saímos do banco apareceu uma mão na sacada da véia, dando tchauzinho, bem vagarosamente. Eu não acreditei naquilo. O Montanha, com o jornalismo correndo no sangue, já tinha até criado uma manchete pra pôr no O Sul: "Véia-Zebú apavora banhistas em Capão da Canoa.". Passamos o resto dos dias falando da véia-zebú, e uma camiseta minha que tem uma viking com a frase "The Last Viking" virou nossa bandeira.

A Madrugada Bizarra: Era o último dia, noite de sexta, estávamos nos preparando pra ir ao Tazz, quando de repente toca a campainha. O Fábio foi atender (todos com medo que fosse a síndica, a zeladora ou algo do tipo) e eram quatro gurias pedindo jornal e espeto pra fazer um churrasco. Credo, que churrasco sairía dali. Fui dar um confere nas gurias, só uma servia. O Montanha  falou que nós íamos lá comer o churrasco depois, e elas disseram que era no apartamento 309. Pq sempre no último dia? PQ SEMPRE NO ÚLTIMO DIA ? Da outra vez foi assim também. Bom, de qualquer jeito estávamos de saída para o Tazz. Daí fomos no apartamento delas, convidá-las pra ir lá também, mas as gurias já estavam com a carne no fogo. E que carne... Digo, que fogo... Ah, sei lá. Fomos pro Tazz, e não tinha ninguém. Ficamos uma hora, ou um pouco mais. Eu tava com vontade de ver o show daquela noite (era Catuípe), mas tava mais por voltar lá no apê daquelas gurias. Nos despedimos do Tazz, que nos deu duas noites de alegria. Fomos pro apê das gurias. Entramos lá meio desconfiados... E eu tive vontade de sair correndo quando saiu um cara muito alto de dentro da cozinha. Mas tudo bem, fomos nos apresentando um a um. Depois foi a vez delas. "Meu nome é Camila, o dela é Deyse e o dela é Luana..." (tinha outra que se chamava gabrielle, ou algo parecido, nem prestei atenção pq eu tava me segundo pra não riri dos nomes). PÉRA AÍ. Deixa eu segurar minha risada. Não vou conseguir, não vou conseguir. Ainda bem que consegui. O fato é que a única que prestava delas se chamava Camila, e esse nome me persegue, não só pela história já contada aqui, mas por outras histórias também. Deyse era o nome da "putona do caralho" que o Cabeça pegou no Tazz. E o Bernardo começou a se envolver com uma Luana no fim do ano passado. Era colega dele, mas ela era paranaense e teve voltar pra casa. É foda essa vida. FORÇA BERNARDO \o/.  Feitas as apresentações, ofereceram Tequila pra nós. O Solano e o Bernardo tomaram. Depois o Cabeça teve a idéia de fazer um lual. Então foi-se todo mundo pra beira da praia. Só que lá tava muito escuro e resolvemos ficar numa praça que ficava de frente pra praia. Dava quase no mesmo. O Fábio tocou e eu cantei, com ajuda de todos na roda. Paramos o lual, e o Montanha perguntou onde elas trabalhavam, elas responderam que trabalhavam numa sex shop. ONDE EU FUI ME METE ? No meio da madrugada, sentado no meio de uma praça, com gurias que trabalhavam numa sex shop...  Resolvemos jogar bola. Os guris foram buscar a bola lá em casa. Quando fomos escolher os times, acabou a Camila escolhendo, daí ela apontou pra mim e disse: "Tu é meu.". Aquilo me fez rir, e rir bastante. Começou a peleia no escuro, na areia... Não se via nada. Acabei quebrando o dedo minguinho do pé direito, chutando o calcanhar de uma delas, sem querer. Fui lá passei uma água, e pronto, tá novo. Jogamos volei também, e eu só fiquei na rede, por causa do meu dedo. Depois voltamos pro nosso apartamento e ficamos conversando até o sol raiar. E "euvirado" mais uma vez. Aaaaahhhh sim, quando chegamos no apartamento elas disseram que não trabalhavam em sex shop nada. Trabalhavam em uma loja de roupa feminina normal. E que aquilo não era Tequila, era Whiskey. Depois disso, elas perderam a pouco credibilidade que tinham. Enfim, a madrugada mais bizarra da minha vida.

E muito mais: Queria falar de algumas coisas aqui. Como por exemplo o vendedor de queijo que achou que tinhamos roubado a caixa dele, mas na verdade ele só queria dançar na "dancinha do Bob Marley". 
 Falar de como eu estava ansioso esperando uma resposta da  mensagem que eu tinha mandado pra Ana. Daí chegou uma mensagem da Anne perguntando como eu tava, e que é nesses acasos que nós vemos quem se importa realmente com a gente.
 A vó Chinóca do Bernardo, que alegrou nossa noite de quarta, mesmo ela não estando lá. O Montanha não parava de rir da Chinoca, e gritava "CHIIIICOOOOOO, ESQUECEU A MERENDA". Quando fomos dormir, chegou uma mensagem pro Bernardo:"CHICOOOOO, desliga a luz e vai dormir.", adivinha quem mandou ? 
A música do Zero de Conduta, que ficou pronta, com letra, melodia e tudo. Daí veio o Guilherme (formado em música pela UFRGS) e disse que tava errado e que tinha que consertar tudo.
Queria falar do meu dedo quebrado, que essa foi a marca que ficou da praia. Foi muito bom ter acontecido no último dia, se fosse nos outros dias da praia ou antes, teria sido pior.
 E falar das pessoas transitórias. Os caras que jogaram futebol com a gente. As gurias do 309 e seu amigo. A loirinha e a morena do Tazz. O vendedor de queijo. Todas aquelas pessoas que só sabem cultivar a imagem de fora, e nunca leram um livro na vida, que estavam na praia de Atlântida (me fizeram me sentir deslocado pra caralho. Só volto lá quando meus ombros  forem mais largos que a minha barriga). A guria que era cópia da outra que eu já fiquei. A atendente gorda e com bigode lá do Nacional. As gurias da Gelf's. Aquela da saia quadriculada, que no outro dia eu acenei pra ela, e ela não respondeu ("FUI VAIADO." ). E aquela outra que tinha um rosto lindo. Sei lá pq eu resolvi falar dessas pessoas. Mas deu vontade...
 A minha depressão pós-praia que começou na praia, e terminou na praia. Eu não queria sair daquele apê. Não queria voltar pra Porto Alegre. Queria continuar lá. A loirinha e a Camila não saiam da minha cabeça (a Camila mais por causa do nome). Tava com muita preguiça de arrumar minha mala. Daí os guris fizeram uma roda, estilo de jogadores de futebol antes de jogos importantes, e eu falei algumas palavras. Aquilo me fez bem, e quando estávamos a caminho da rodoviária, eu já estava bem.Me deu força pra seguir em frente.
     Ontem eu terminei de ler "O Apanhador no Campo de Centeio" e na última página tem uma passagem que eu me lembrei muito da praia e do blog. Ou seja, eu TINHA que colocar aqui:


"Tenho pena de tar contado esse negócio a tanta gente. Só sei mesmo é que sinto uma espécie de saudade de todo mundo que entra na história. Até do safado do Stradlater e do Ackley (colegas do narrador em seu antigo colégio), por exemplo. Acho que sinto falta até do filha da mãe do Maurice (cafetão que brigou com o narrador). É engraçado. A gente nunca devia contar nada a ninguém. Mal acaba de contar, a gente começa a sentir saudade de todo mundo."

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