27 de dez de 2008

2007 - O ano - terceira parte

     Fui pro Olímpico, num nervosismo só. Eram duas coisas em jogo. Me juntei ao Marcelo e ao Bernardo, e fomos para o mesmo lugar de sempre, onde vemos todos os jogos. Aquelas luzes vindas dos refletores estavam me incomodando, até hoje não sei o motivo. De repente ela apareceu. Camila estava subindo as escadas, e eu, pateticamente, fiz de conta que estava indo no bar comprar refrigerante para encontra-lá no caminho e ter certeza de que ela veria o jogo conosco. O jogo começou. Minha idéia infantil era de comemorar o terceiro gol de uma forma diferente com a Camila. Pois o terceiro gol não veio, nem mesmo o primeiro. O Grêmio foi derrotado por 2x0, em pleno Olímpico lotado. Cumprimentei os guris, e dei um beijo na bochecha da Camila. Beijo mais sem graça da minah vida. Dei a volta no estádio e via bonitos fogos de artifício, que não eram pra grande massa presente. Subi a lomba pra minha casa numa tristeza só. Nunca saberei se aquelas horas foram boas, ou ruins. Boas por eu ter ficado ao lado da Camila, e só sua presença já me bastava. Ruim pela perda do título. Cheguei em casa, abatido. minha mãe estava no quarto e veio perguntar pelo meu pai. Ele é jornalista (fotógrafo, mais especificamente), e ainda tava cobrindo as declarações de fim de jogo. Pra minha surpresa, ela disse que tinha uma notícia boa. bom, pelo menos era uma notícia boa. Nada seria pior que uma notícia ruim. Ela disse que, dezoito anos depois, estava grávida denovo. Meu Deus, isso seria ótimo. Meu pensamento de vestibulando dizia que isso seria um vestibular, pra eu me tornar um pai melhor mais tarde. Com certeza foi o dia mais estranho da minha vida, com toda certeza do mundo.
     Chegou o fim do semestre, e com ele a festa de fim de semestre do pré-vestibular. E com mais uma... Tá, vocês já sabem. E ela estava lá. Pediu pra eu comprar uma cerveja pra ela, e eu fui lá todo bobo. Comprei a cerveja e quando entreguei perdi a melhor oportunidade que eu já tive. A Camila tava sozinha, eu entreguei o copo pra ela. Ela agradeceu, eu disse "de nada", dei uma piscada. E fui embora. FUI EMBORA. Como sou burro. Passei o resto da noite me remoendo e fui embora cedo. No outro dia eu trabalhava e eu e os guris íamos tentar conseguir ingresso pro show dos Engenheiros do Hawaii e do Fito Páez. Aquela noite fui dormir com a música Tempo Perdido da Legião Urbana na cabeça. 

"Todos os Dias quando acordo
  Não tenho mais o tempo que passou
  Mas tenho muito tempo
  Temos todo tempo do mundo."

     O segundo semestre não foi tão cheio de acontecimentos, quanto o primeiro. As férias passaram. O Montanha passou na PUC, e saiu mais cedo do cursinho. O ritmo de estudo aumentou e por esse motivo eu pedi demissão do meu estágio. A turma de amigos se uniu mais do que nunca (e continua assim até hoje). A barriga da minha mãe aumentou. Meu amor pela Camila cresceu. E o final do ano chegou.

Fim [depois conto 2008 e como acabou minha história com a Camila.]

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